sexta-feira, 9 de março de 2012

planejamento anual 6 ano 2012

Escola Estadual “Alysson Roberto Bruno”

Planejamento de Ensino de Língua Portuguesa para o ano Letivo de 2012





Justificativa
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), o ensino de Língua Portuguesa deve preparar o aluno para a vida, qualificando-o para o aprendizado permanente e para o exercício da cidadania. Se a linguagem é atividade interativa em que nos constituímos como sujeitos sociais, preparar para a vida significa formar locutores/autores e interlocutores capa-zes de usar a língua materna para compreender o que ouvem e lêem e para se expressar em variedades e registros de linguagem pertinentes e adequados a diferentes situações comunicativas. Tal propósito implica o acesso à diversidade de usos da língua, em especial às variedades cultas e aos gêneros de discurso do domínio público, que as exigem, condição necessária ao aprendizado permanente e à inserção social. Qualificar para o exercício da cidadania implica compreender a dimensão ética e política da linguagem, ou seja, ser capaz de refletir criticamente sobre a língua como atividade social capaz de regular - incluir ou excluir - o acesso dos indivíduos ao patrimônio cultural e ao poder político.
O aluno precisa aprender e apreender a escrita e a leitura como forma de interpretar e conhecer a si mesmo e ao mundo. Ele necessita saber usar a língua materna em diferentes situações ou contextos para inserir-se na sociedade e conquistar seu espaço no mercado de trabalho. O jovem contemporâneo não pode correr o risco de ser mal interpretado numa sociedade que cobra caro pela omissão tanto quanto pela duplicidade de ideias. Ou se tem personalidade e se é autêntico, ou as pessoas dirão o que deve ser feito. A língua é a identidade de uma nação. Ensiná-la é também resgatar o patriotismo, valorizar o que é nosso, colocar em prática a cidadania e preparar o jovem para a vida.


Objetivos
• Compreender e produzir textos, orais ou escritos, de diferentes gêneros.
• Ler jornais, produtiva e autonomamente.
• Ler livros literários, produtiva e autonomamente.
• Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso.
• Reconhecer a língua como instrumento de construção da identidade de seus usuários e da comunidade a que pertencem.
• Compreender a escrita como simbolização da fala.
• Compreender a necessidade da existência de convenções na língua escrita.
• Valorizar a escrita como um bem cultural de transformação da sociedade.
• Usar variedades do português, produtiva e autonomamente.
• Posicionar-se criticamente contra preconceitos lingüísticos.
• Mostrar uma atitude crítica e ética no que diz respeito ao uso da língua como instrumento de comunicação social.
• Ler textos literários com envolvimento da imaginação e da emoção.
• Reconhecer e participar do pacto proposto por diferentes gêneros literários.
• Reconhecer o texto literário como lugar de manifestação de valores e ideologi-as.
• Reconhecer mitos e símbolos literários em circulação na cultura contemporâ-nea.
• Identificar valores veiculados por mitos e símbolos em circulação na cultura contemporânea.
• Posicionar-se criticamente frente a ideologias e valores veiculados por mitos e símbolos em circulação na sociedade contemporânea.
• Organizar ações coletivas de apresentação e discussão de textos literários e ou-tras manifestações culturais.
• Valorizar a literatura e outras manifestações culturais como formas de compreensão do mundo e de si mesmo.





Conteúdos Programáticos do 1° Bimestre
Leitura
• Textos relacionados ao imaginário infantil
• Conto maravilhoso
• Fábula
• Aventura
• Poesia

Produção de Texto
• Conto Maravilhoso

Linguística
• Dicionário
• Sinonímia
• Tipos de frase
• Onomatopéia


Língua
• Linguagens: verbal e não verbal
• Variedade lingüística
• Oralidade e Escrita
• Formalidade e informalidade
• Gíria
• Gêneros do discurso

Ortografia
• Fonema e letra
• Emprego do H, do CH, NH, LH, M antes de P e B







Conteúdos Programáticos do 2° Bimestre
Leitura
• Textos relacionados ao universo infantil, à psicologia, aos valores e à sensibilidade da criança
• Poesia
• Tira


Produção de Texto
• Historia em Quadrinhos

Linguística
• Diálogo


Língua
• Substantivo
• Classificação dos substantivos
• O adjetivo
• Classificação dos adjetivos
• Flexão dos substantivos e adjetivos em gênero, número e grau.

Ortografia
• Dígrafos
• Encontros vocálicos
• Emprego do R, RR, S, SS, Z inicial, intermediário e final; N antes de consoante






















Conteúdos Programáticos do 3° Bimestre
Leitura
• Textos relacionados à identidade da criança, vista em suas relações com o universo familiar e social
• Poesia
• Tira


Produção de Texto
• Relato Pessoal
• Diário
• Descrição

Linguística
• Descrição

Língua
• Substantivo
• Flexão dos substantivos e adjetivos
• Artigo , classificação e flexão.
• Numeral: classificação e flexão


Ortografia
• Divisão silábica
• Sílabas: tônica e átona
• Emprego do X/ CH e H inicial







Conteúdos Programáticos do 4° Bimestre
Leitura
• Textos relacionados à questão do meio ambiente e dos animais em extinção



Produção de Texto
• Texto de opinião
• cartaz

Linguística
• Coerência e coesão

Língua
• Pronomes: seus usos e classificações
• Verbos: conjugação, flexão, tempo
• modo indicativo


Ortografia
• Acentuação
• Emprego dos GU, QU, G, J









Metodologia de Ensino
• Introdução do Tema
• Discussão
• Pesquisa
• Leitura silenciosa e oral
• Resolver atividades propostas de compreensão e interpretação, linguagem , lingüística e produção de texto
• Uso da norma padrão e não padrão em diferentes situações de comunicação
• Manipulação e uso de jornais, revistas e propagandas
• Leitura extraclasse
• Gincanas e brincadeiras
• Atividades em grupos
• Confecção de cartazes e painéis
• Oficina de textos
• Recriação de textos já lidos
• Favorecer a desinibição, encorajar a expressão espontânea e estimular a fluência de idéias
• Respeito pela idéias dos outros
• Leitura de diferentes gêneros orais e escritos
• Antologias de textos produzidos pelos alunos
• Teatro
• Debate
• Atividades de escrita coletiva ou individual
• Entre outros











Avaliação
Se é função da escola criar condições para que o aluno aprenda determinados conteúdos e, sobretudo, desenvolva determinadas habilidades, ela precisa, o tempo todo e de diversas formas, avaliar se está atingindo seus objetivos. Ao professor, a ava-liação fornece elementos para uma reflexão contínua sobre a sua prática, sobre a criação de novos instrumentos de trabalho, sobre
ajustes a fazer no processo de aprendizagem individual ou de todo grupo. Ao aluno, permite a tomada de consciência de suas conquistas, dificuldades e possibilidades para reorganização de seu investimento na tarefa de aprender. À escola, possibilita definir prioridades e identificar que aspectos das ações educacionais demandam apoio. A ava-liação deve ocorrer antes, durante e após o processo de ensino e aprendizagem. Avali-ando permanentemente, o professor capta o crescimento do aluno no decorrer do tempo e evita que uma situação não desejável permaneça acontecendo até que che-gue ao patamar do irremediável.
A fase investigativa ou diagnóstica inicial instrumentaliza o professor para pôr em prática seu planejamento de forma a atender às características de seus alunos. Informando-se sobre o que o aluno já sabe a respeito de determinado conteúdo, o professor estrutura o planejamento, define os conteúdos e o nível de profundidade em que devem ser abordados. Vale frisar que a avaliação investigativa não deve destacar-se do processo de aprendizagem em curso, impedindo o professor de avançar em suas propostas e fazendo-o perder o escasso tempo escolar de que dispõe. Pelo contrário, ela deve realizar-se no interior mesmo do processo de ensinoaprendizagem, já que os alunos inevitavelmente põem em jogo seus conhecimentos prévios ao enfrentar qual-quer situação didática.
Durante o processo, é conveniente que o professor, junto com os alunos, faça paradas para monitorar os produtos e processos, alterar rotas, tomar consciência do que cada um ainda não sabe e buscar caminhos para avançar. É importante que os alunos participem dessa avaliação formativa e que sejam apoiados pelo professor no processo de formação da capacidade de julgamento autônomo, consciente, a partir de critérios claros e compartilhados, de princípios de honestidade intelectual e espírito crítico.
A fase final inclui a observação dos avanços e da qualidade da aprendizagem alcançada pelos alunos ao final de um período de trabalho, com base na síntese de todas as informações sobre o aluno obtidas pelo professor, ao acompanhá-lo contínua e sistematicamente. A avaliação deve ser multimodal, multidimensional. Isso quer dizer que ela deve ser feita por meio de diferentes instrumentos e linguagens — não só por meio de testes escritos; por outros
agentes, além do professor — o próprio aluno, um ou mais colegas, pessoas da comu-nidade; e avaliar não só conhecimentos, como também competências e habilidades, valores e atitudes aprendidos ao longo do tempo e demonstrados não só dentro da escola, mas também fora dela.
A diversidade de instrumentos e situações possibilita avaliar as diferentes com-petências e conteúdos curriculares em jogo, contrastar os dados obtidos e observar a transferência das aprendizagens para contextos distintos. A utilização de diferentes linguagens, além da verbal — teatro, fi lme, dança, música, pintura, expressão corpo-ral, grafismos, etc. —, leva em conta as
diferentes aptidões dos alunos.

Atividades para avaliação:

• fazer um relatório
• fazer um ensaio fotográfico.
• montar um livro de recortes.
• construir um modelo.
• fazer uma demonstração ao vivo.
• criar um projeto em grupo.
• fazer um gráfico estatístico.
• fazer uma apresentação interativa em computador.
• manter um diário.
• gravar entrevistas.
• planejar um mural.
• criar uma discografia baseada no assunto.
• dar uma palestra.
• fazer uma simulação.
• criar uma série de esboços/ diagramas.
• montar um experimento.
• participar de um debate ou discussão.
• fazer um mapa mental.
• produzir um vídeo.
• criar um projeto ecológico.
• montar um musical.
• criar um rap ou uma canção sobre o assunto.
• ensinar o assunto a alguém.
• coreografar uma dança.
• escrever textos
• responder a questões objetivas e subjetivas
• entre outras que se fizerem necessárias.

Aspecto importante a ser considerado é que qualquer atividade didática pode será usada como avaliação: algumas serão adequadas como avaliações parciais, outras como avaliações finais, a depender do grau de complexidade das habilidades requeridas.
Concordamos com Luckesi quando diz que “ a avaliação é uma atividade que não existe e nem subsiste por si mesma, ela só faz sentido na medida em que serve para o diagnóstico da execução e dos resultados que estão sendo busca dos e obtidos.A avaliação é um instrumento auxiliar da melhoria dos resultados”.
Entendemos que a avaliação não deve ter como objetivo central promover ou reter o aluno, mas deve ser um instrumento que integre o processo de ensino-aprendizagem e, cada realização, redirecione os objetivos e as estratégias desse processo.
Por essa razão, a avaliação deve assumir na prática escolar um significado diferente daquele que historicamente tem sido atribuído às provas, ou seja, o sentido de punição, de pressão psicológica, de ameaça e até de “vingança”em relação à postura disciplinar do aluno ou da classe.
Como o binômio ensinar-aprender não se faz de uma forma que estanque e passiva-ou seja, o professor ensina(elemento agente)e o aluno aprende(elemento passivo)-mas em um processo de interação entre professor e alunos e entre os próprios alunos, a avaliação não pode estar desvinculada da noção de processo.
A nossa disciplina, pela riqueza de atividades que oferece, permitem uma variedade de instrumentos de avaliação, que vão desde a verificação de conhecimentos lingüísticos(como leitura, interpretação e conhecimentos gramaticais) até a produção de texto(individual e/ou em grupo), pesquisas sobre conteúdos lingüísticos , atividades e estudos desencadeados pela leitura extraclasse, seminários, trabalhos criativos de representação teatral, shows musicais, exposições,etc.
Que não se compreenda a diversidade de avaliações como maior quantidade de correções e, consequentemente, de trabalho para o professor. Nem tudo deve passar, obrigatoriamente, pela correção gramatical feita pelo professor. Todas as atividades pode e devem ser permanentemente avaliadas, considerando-se que o caráter da avaliação consiste em verificar se as atividades propostas e realizadas atingiram o objetivo de aprendizagem. Nesse sentido, um exposição oral pode ser avaliada, e prescinde de correção gramatical(por escrito); o mesmo se verifica quanto a um trabalho criativo ou a uma exposição de painéis.


































Conclusão
Este Planejamento foi elaborado de acordo com o CBC, conforme Legislação vi-gente e em consonância com o novo livro didático. Considerando-se que a observação contínua dos alunos no decorrer do ano é passível de imprevistos, serão admitidas modificações a qualquer tempo, em nome da flexibilidade que se presume fazer parte do lema de instituições empreendedoras e humanizadas, e desde que estas modifica-ções beneficiem a aprendizagem discente.
A ordem dos conteúdos também poderá ser alterada caso o professor identifi-que a necessidade de rever conceitos básicos ainda não assimilados pelos alunos e cujo domínio seja essencial para a progressão nos estudos. Nossas metas são ambicio-sas, mas será o ritmo de cada aluno e o perfil de cada turma que nos darão a extensão de nossos passos e a melhor direção a seguir, ainda que isso signifique intervir por meio de outros recursos metodológicos e suspender temporariamente os planos tra-çados aqui.











Bibliografia
____________;CBC.
CEREJA, Willian Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar: Português : Linguagens. 5.ed.reform.- São Paulo: Atual, 2009

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Quadrinhas

Quadrinhas

A quadrinha é um gênero textual próprio para ser repetido, ouvido ou falado.
É a forma lírica mais comum entre o povo; foi também utilizada por poetas de renome.
Composta por quatro versos, a rima surge geralmente no 2.º e 4.º versos, sendo os outros dois versos sem rima. A quadra popular pode ser composta por uma única estrofe ou por várias.


NÃO HÁ TINTA NESSA RUA
NEM PAPEL NESSA CIDADE
NEM CANETA QUE CONSIGA
DESCREVER MINHA SAUDADE

COMO DUAS ANDORINHAS
NUMA TARDE DE VERÃO,
SEREMOS SEMPRE AMIGOS,
AMIGOS DO CORAÇÃO.

LÁ NO FUNDO DO QUINTAL
TEM UM TACHO DE MELADO
QUEM NÃO SABE CANTAR VERSO
É MELHOR FICAR CALADO.

VOCÊ ONTEM ME FALOU
QUE NÃO ANDA NEM PASSEIA
COMO É QUE HOJE CEDINHO
EU VI SEU RASTRO NA AREIA?

VOA, VOA, PASSARINHO
SE TU JÁ QUERES VOAR;
OS PEZINHOS PELO CHÃO
E AS ASINHAS PELO AR.

PASSARINHO, PASSARINHO
QUE CANTA NO MEU JARDIM,
NÃO O PRENDO AMIGUINHO,
CANTE BEM PERTO DE MIM

ESCREVI TEU BELO NOME
NA PALMA DA MINHA MÃO,
PASSOU UM PÁSSARO E DISSE:
- ESCREVE EM TEU CORAÇÃO.


QUEM QUISER SABER MEU NOME
DÊ UMA VOLTA NO JARDIM
QUE O MEU NOME ESTÁ ESCRITO
NUMA FOLHA DE JASMIM.

FUI FAZER A MINHA CAMA
ME ESQUECI DO COBERTOR
DEU UM VENTO NA ROSEIRA
ENCHEU MINHA CAMA DE FLOR.

SOU PEQUENINA
CRIANÇA MIMOSA
TRAGO NAS FACES
AS CORES DA ROSA.

SOU PEQUENINA
DA PERNA GROSSA
VESTIDO CURTO?
PAPAI NÃO GOSTA.

BATATINHA QUANDO NASCE
ESPARRAMA PEPLO CHÃO
MEU BENZINHO QUANDO DORME
PÕE A MÃO NO CORAÇÃO.

APROVEITA MINHA GENTE
APROVEITA E NÃO DEMORA
QUE A LARANJA ESTÁ ACABANDO
QUE MEU CARRO JÁ VAI EMBORA.

SOU PEQUENININHO
DO TAMANHO DE UM BOTÃO
CARREGO PAPAI NO BOLSO
E MAMÃE NO CORAÇÃO.


AS ESTRELAS NASCEM NO CÉU
OS PEIXES NASCEM NO MAR
EU NASCI AQUI NESTE MUNDO
SOMENTE PARA TE AMAR!

COMO DUAS ANDORINHAS
NUMA TARDE DE VERÃO,
SEREMOS SEMPRE AMIGAS,
AMIGAS DO CORAÇÃO.

CANTA, CANTA
ESSA CANÇÃO
SÃO QUADRINHAS
E UM REFRÃO

VOCÊ ME MANDOU CANTAR
PENSANDO QUE EU NÃO SABIA
POIS EU SOU QUE NEM CIGARRA
CANTO SEMPRE TODO DIA.

Quadrinhas amorosas populares

Selecionadas por Rolando de Serigi

Quando me toma cansaço
Penso em ti como quem reza
E a alma torna-se de aço
E a vida já não me pesa

Uma escada de dois lados
Toda enfeitada de flor
De um lado sobe a saudade
Do outro desce o amor
Tenho na minha janela

Um valverde regalado
Regado com águas tristes
Que por ti tenho chorado
Minha menina bonita

Meu girassol encoberto
Faz tempo que eu não te vejo
Nem de longe nem de perto
Vai-te embora não te lembres

Quem de mim já vive ausente
Pra ser amante, querida
Você não é que é gente
Eu já fui hoje não sou

Prenda do teu coração
Hoje sou a "vassourinha"
Com que tu varreste o chão
Esta noite à meia-noite

Ouvi cantar o gavião
Parecia que dizia
"Vinde cá, meu coração"
Triste sou, triste me vejo
Sem a tua companhia
Tão triste que nem me lembro
Se alegre fui algum dia

Mulata cor de bronze
Mulata é o aluá
Mulata tu me prende
Com a luz do teu olhar

O ganso pisou na água
E com o bico foi beber
Não contei nada a ninguém
Que meu amor é você

Tua boca é tão pequena
Tão pequena e tão singela
Que eu não sei como é que cabem
Tantos beijos dentro dela

Abaixai-vos serras altas
Quero ver Guaratinguetá
Quero ver o meu amado
Em que braço ele está

Teu coração é cofre cheio
De moedas do querer bem
Já fez rica a muita gente
E eu nunca tive um vintém

Se estás arrependida
Pelo bem que me fizeste
Dá-me os beijos que te dei
Que te dou os que me deste

A tua pele é tão fina
Tão fácil de se queimar
Que até receio magoá-la
Co'a chama do meu olhar

Abaixai, serra negra
Quero ver Jurumirim
Quero ver se aquele ingrato
Ainda se lembra de mim

Fui chorar minha saudade
Na beira do ribeirão
Respondeu peixe no fundo:
? Por que chora, coração?

Tu amas a Jesus
Que morreu por tanta gente
Por que não amas a mim
Que morro por ti somente

Nhanhã cantava modinhas
Eu fazia o cafezinho
Ele dava cafunés
Eu pagava com um beijinho

Adoro-te tanto, tanto
Ó meu grande e doce bem
Que se um dia morreres
De tédio morro também

Você diz que me quer bem
Eu também estou te querendo
Um bem se paga com outro
Nada fico te devendo

Cinco com quatro são nove
Acabou-se a novena
Amei-te com tanto gosto
Deixei-te com tanta pena

Lá em cima tem batuque
Cá em baixo também tem
O rio está muito cheio
Não posso passar, meu bem

Se vires a garça branca
Pelos ares ir voando
Dirás que são os meus olhos
Que te vão acompanhando

Embora o fogo se apague
Fica na cinza o calor
Embora o amor se acabe
No coração fica a dor

Pus-me a pesar as pedrinhas
Do deserto em que eu vivi
Mais pesavam minhas penas
Do que quantas pedras vi

Coração não gostes dela
Que ela não gosta de ti
Não estejas coração
Tape, tepe, tipi, ti

As flores do cafeeiro
Estão branquinhas a sair
Não fiques triste, menina
Quando me vires partir

Por um capricho, querida
Me trocaste por alguém
Por um capricho é possível
Que outra vez me queiras bem

Vi um mendigo na rua
Pôr fora a esmola de alguém
Meu coração faz o mesmo
Se quem dá não lhe quer bem

Se fossem de balas as lágrimas
Que por ti tenho chorado
O meu coração andava
De balas todo varado

Teus lindos e verdes olhos
São duas grandes mentiras
Que o verde é cor da esperança
E tu a esperança me tiras
Assim como as abelhas

Abrem asas pra voar
Eu também abro os meus braços
Pra com eles te abraçar

(Serigi, Rolando de. "Quadrinhas amorosas populares 3; contribuição ao estudo do folclore". Correio Paulistano. São Paulo, 13 de junho de 1954)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Primeiro informativo do ano letivo

Segue abaixo um informativo para os pais que será colado no caderno de recados dos alunos para os pais, uma espécie de regras para o bom andamento do turno na escola de educação infantil.

INFORMATIVO (Leia com atenção)

A nossa escola tem um ambiente cativante e acolhedor e é com muita alegria que recebemos hoje a sua criança que fará parte desta instituição.
Para o bom andamento da escola se fazem necessárias algumas regras primordiais:
• O horário de entrada da manhã é 07h00min, tolerância de até 07h15min; saída a partir das 11h00min para os ônibus e logo depois os outros até 11h20min, horário máximo.
• O horário de entrada da tarde é 12h30min, tolerância de até 12h45minh; saída a partir das 16:30h para os ônibus e logo depois os outros até 16:50h, horário máximo.
• Após o período de adaptação os pais não devem ir até a porta das salas, a atenção das professoras deve estar voltada para as crianças.
• O horário para falar com as professoras da manhã é das 11:00h as 11:20h
• O horário para falar com as professoras da tarde é das 16:30h as 16:50h
• As crianças não saem da escola sozinhas, sem a companhia de um adulto conhecido pelos funcionários da escola.
• Buscar a criança fora do horário somente em casos excepcionais.
• Caso seu filho utilize o transporte gratuito oferecido pela prefeitura, preencher a autorização do ônibus escolar na secretaria da escola, os pontos são determinados pelo almoxarifado.
• O lanche que a escola oferece é da melhor qualidade, com cardápio balanceado acompanhado por nutricionistas e Conselho de Alimentação Escolar.
• Caso os pais prefiram poderão trazer de casa o lanche da criança ou ainda comprar no barzinho da escola.
• O uniforme não é obrigatório, mas gostaríamos que todos usassem para melhor segurança das crianças e organização da escola. Estão à venda no Elpídio e Dominguinhos.
• É obrigação dos pais ou responsáveis acompanhar as crianças nas atividades da escola, de ensina-las a cuidar do próprio material, de ser responsável e educada com as pessoas.
• No final de cada bimestre acontece uma reunião para tratar de assuntos referentes à vida escolar de sua criança. A sua presença é de extrema importância, portanto indispensável!
• Em caso de doença a criança não deverá vir à escola, mas é necessário que a escola seja comunicada.
• Se precisar faltar por mais de 3 (três) dias consecutivos, avisar a escola.
• O currículo das crianças é bem diversificado e uma vez por semana as crianças terão aula de Inglês, Música, Educação Física e Arte com professores da Área.
• A direção da escola está a disposição para quaisquer esclarecimentos.
• O telefone da escola é (034)3427-7039

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tipos de Drogas

Pesquisando sobre drogas para montar um projeto vejam o que achei na própria net, no site do brasil escola. 

Álcool
O principal agente do álcool é o etanol (álcool etílico). O consumo do álcool é antigo, bebidas como vinho e cerveja possuíam conteúdo alcoólico baixo, uma vez que passavam pelo processo de fermentação. Outros tipos de bebidas alcoólicas apareceram depois, com o processo de destilação.

 Apesar de o álcool possuir grande aceitação social e seu consumo ser estimulado pela sociedade, este é uma droga psicotrópica que atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudança no comportamento.

 Quando consumido em excesso, o álcool é visto como um problema de saúde, pois este excesso está inteiramente ligado a acidentes de trânsito, violência e alcoolismo (quadro de dependência).

 Os efeitos do álcool são percebidos em dois períodos, um que estimula e outro que deprime. No primeiro período pode ocorrer euforia e desinibição. Já no segundo momento ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Os efeitos agudos do consumo do álcool são sentidos em órgãos como o fígado, coração, vasos e estômago.

 Em caso de suspensão do consumo, pode ocorrer também a síndrome da abstinência, caracterizada por confusão mental, visões, ansiedade, tremores e convulsões.


CIGARRO
Por longos e longos anos as pessoas foram ensinadas que o cigarro somente provocaria reações no organismo após um grande período de uso, porém estudos recentes desmentem tais ensinamentos e assustadoramente mostram a real força do cigarro no organismo. Este, composto por tabaco seco enrolado por um fino papel que se queima após ser aceso, provoca rápidas reações no corpo do homem.

 Segundo estudiosos, cerca de 10% dos fumantes que colocam o primeiro cigarro na boca já apresentam reações significativas no organismo que provocam a dependência por um período de até dois dias depois, idéia que se aplicava somente aos fumantes de longa data. O curioso é que um cigarro consegue suprir, em fumantes iniciantes, a necessidade do organismo em relação à droga por até uma semana, o que não acontece com fumantes de longa data.

 Intrigantemente, a nicotina presente em um só cigarro consegue aumentar a produção de hormônios receptores no lobo frontal do cérebro, no hipocampo e no cerebelo que envolve a memória a longo prazo. Dessa forma, dois dias após ter fumado um único cigarro um indivíduo passa a ter necessidades da droga no organismo. A manifestação da dependência à droga ocorre por causa das adaptações que o organismo faz para recebê-la na busca por manter seu equilíbrio químico e funcional.

 Com o decorrer do tempo, as pessoas tendem a necessitar de um novo cigarro em um curto período, ou seja, em um prazo de duas horas o organismo já deixa o indivíduo inquieto, irritado e ansioso fazendo com que busque a calmaria no cigarro.

 Deixar de fumar não é fácil. Segundo pesquisas, somente 3% dos fumantes conseguem abandonar o vício e o restante pode até conseguir parar durante um período, mas após esse volta a fumar. Acredita-se que a melhor forma para abandonar o vício é deixá-lo de uma só vez e não gradualmente como muitos fazem.

REBITE
É uma droga derivada de anfetaminas que estimula o sistema nervoso central fazendo com que ele tenha um ritmo mais acelerado de trabalho. Seu nome varia de acordo com seus usuários.
São usadas por motoristas, em razão da necessidade de dirigir bastante entre dias e noites sem descanso, por estudantes que passam dias e noites estudando e por pessoas que querem emagrecer por conta própria.

Normalmente são ingeridos com bebidas alcoólicas para potencializar seu efeito. Conhecida pelos motoristas como rebite e pelos estudantes e outros como bolinha, a droga é sintética, ou seja, é produzida em laboratório. Algumas podem até ser comercializadas como remédios.

O rebite afeta várias áreas comportamentais do organismo. A pessoa apresenta um quadro de insônia, perda de apetite, fala rápida, sente-se revigorado, fazendo com que o organismo trabalhe de forma excessiva e ácida de suas condições reais.

Após passado o efeito, muitos tomam outra dose para continuar seus afazeres, porém a droga passa a ter sua eficiência reduzida pelo fato de que o organismo já está cansado, fraco e sem condições de manter o pic desejado.

Entre os efeitos já citados, podemos ainda mostrar o que ela inda pode fazer no organismo. A droga produz a dilatação dos olhos causando maior ofuscamento, taquicardia, aumento da pressão sanguínea, agressividade, irritação, delírio persecutório, alucinações, paranoia, palidez e degeneração das células cerebrais.

O uso contínuo dessa droga leva o organismo a acostumar-se com tal substância, fazendo com que o usuário tome doses cada vez maiores. Tal fato atenta para o vício e para a síndrome da abstinência. Algumas pessoas quando não consomem a droga ficam depressivas ou irritadas, entretanto, não é uma regra geral.



CAFEÌNA
A cafeína é um composto químico, classificado como alcalóide, pertencente ao grupo das xantinas, além de atuar sobre o sistema nervoso central, aumenta a produção de suco gástrico, decorrente da alteração metabólica ocasionada pela mesma. Devido ao estímulo do sistema nervoso, a cafeína favorece o estado de alerta.

 A cafeína é a droga mais consumida no mundo e é encontrada em uma grande quantidade de alimentos, como chocolate, café, guaraná, cola, cacau e chá-mate, é possível encontrá-la também em alguns analgésicos e inibidores de apetite. O valor nutricional da cafeína está ligado apenas ao efeito excitante.

 Em excesso, a cafeína pode ocasionar alguns sintomas como irritabilidade, agitação, ansiedade, dor de cabeça e insônia.

 Devido ao estímulo acima mencionado que esta droga proporciona alguns efeitos comprovados, como aumento da atenção mental, aumento da concentração, melhoria do humor, diminuição da fadiga.

 Segundo estudos dez gramas, em média, de cafeína é uma dose letal para o homem, e em uma xícara de café são encontrados cem miligramas de cafeína.

 Apesar de ser utilizada para solucionar problemas cardíacos, ajudar pessoas com depressão nervosa decorrente do uso de álcool, ópio, a cafeína é uma droga que causa dependência física e psicológica, uma vez que para estimular o cérebro utiliza os mesmos mecanismos das anfetaminas, cocaína e heroína. Os efeitos da cafeína são mais leves, porém manipula os mesmos canais do cérebro, uma das razões que pode levar as pessoas ao vício.



Cocaína

A Erythroxylon coca é uma planta encontrada na América Central e América do Sul. Essas folhas são utilizadas, pelo povo andino, para mascar ou como componente de chás, com a função de aliviar os sintomas decorrentes das grandes altitudes. Entretanto, uma substância alcaloide que constitui cerca de 10% desta parte da planta, chamada benzoilmetilecgonina, é capaz de provocar sérios problemas de saúde e também sociais.

Na primeira fase da extração do alcaloide, as folhas são prensadas em ácido sulfúrico, querosene ou gasolina, resultando em uma pasta denominada sulfato de cocaína. Na segunda e última, utiliza-se ácido clorídrico, formando um pó branco. Assim, neste segundo caso, ela pode ser aspirada, ou dissolvida em água e depois injetada. Já a pasta é fumada em cachimbos, sendo chamada, neste caso, de crack. Há também a merla, que é a cocaína em forma de base, cujos usuários fumam-na pura ou juntamente com maconha.

Atuando no Sistema Nervoso Central, a cocaína provoca euforia, bem estar, sociabilidade. Pelo fato de que nem sempre as pessoas conseguem ter tais sensações naturalmente, e de forma intensa, uma pessoa que se permite utilizar esta substância tende a querer usar novamente, e mais uma vez, e assim sucessivamente.

 O coração tende a acelerar, a pressão aumenta e a pupila se dilata. O consumo de oxigênio aumenta, mas a capacidade de captá-lo, diminui. Este fator, juntamente as com arritmias que a substância provoca, deixa o usuário pré-disposto a infartos. O uso frequente também provoca dores musculares, náuseas, calafrios e perda de apetite.

 Como a cocaína tende a perder sua eficácia ao longo do tempo de uso, fato este denominado tolerância à droga, o usuário tende a utilizar progressivamente doses mais altas buscando obter, de forma incessante e cada vez mais inconsequente, os mesmos efeitos agradáveis que conseguia no início de seu uso. Dosagens muito frequentes e excessivas provocam alucinações táteis, visuais e auditivas; ansiedade, delírios, agressividade, paranoia.

Este ciclo torna-o também cada vez mais dependente, fazendo de tudo para conseguir a droga, resultando em problemas sérios não só no que tange à sua saúde, mas também em suas relações interpessoais. Afastamento da família e amigos, e até mesmo comportamentos condenáveis, como participação de furtos ou assaltos para obter a droga são comuns.

Além de provocar, em longo prazo, comprometimento dos músculos esqueléticos, existem ainda os agravantes recorrentes da forma de uso. Cocaína injetável, por exemplo, pode provocar a contaminação por doenças infecciosas, como hepatite e AIDS, e infecções locais. No caso daqueles que inalam, comprometimento do olfato, rompimento do septo nasal e complicações respiratórias, estas últimas também típicas dos fumantes, incluindo aí bronquite, tosse persistente e disfunções severas. Gestantes podem ter bebês natimortos, com malformações, ou comprometimento neurológico.

Romper com a droga é difícil, já que o indivíduo tende a se sentir deprimido, irritadiço, e com insônia. Assim, quando um usuário opta por deixá-la, deve receber bastante amparo e ser incentivado neste sentido. É necessária ajuda médica, tanto no processo de desintoxicação quanto tempos depois desta etapa.
  

CRACK
O crack é preparado a partir da extração de uma substância alcaloide da planta Erythroxylon coca, encontrada na América Central e América do Sul. Chamada benzoilmetilecgonina, esse alcaloide é retirado das folhas da planta, dando origem a uma pasta: o sulfato de cocaína. Chamada, popularmente, de crack, tal droga é fumada em cachimbos.

 Cerca de cinco vezes mais potente que a cocaína, sendo também relativamente mais barata e acessível que outras drogas, o crack tem sido cada vez mais utilizado, e não somente por pessoas de baixo poder aquisitivo, e carcerários, como há alguns anos. Ele está, hoje, presente em todas as classes sociais e em diversas cidades do país. Assustadoramente, cerca de 600.000 pessoas são dependentes, somente no Brasil.

 Tal substância faz com que a dopamina, responsável por provocar sensações de prazer, euforia e excitação, permaneça por mais tempo no organismo. Outra faceta da dopamina é a capacidade de provocar sintomas paranoicos, quando se encontra em altas concentrações.
 Perseguindo esse prazer, o indivíduo tende a utilizar a droga com maior frequência. Com o passar do tempo, o organismo vai ficando tolerante à substância, fazendo com que seja necessário o uso de quantidades maiores da droga para se obter os mesmos efeitos. Apesar dos efeitos paranoicos, que podem durar de horas a poucos dias e pode causar problemas irreparáveis, e dos riscos a que está o sujeito; o viciado acredita que o prazer provocado pela droga compensa tudo isso. Em pouco tempo, ele virará seu escravo e fará de tudo para tê-la sempre em mãos. A relação destas pessoas com o crime, por tal motivo, é muito maior do que em relação às outras drogas; e o comportamento violento é um traço típico.

Neurônios vão sendo destruídos, e a memória, concentração e autocontrole são nitidamente prejudicados. Cerca de 30% dos usuários perdem a vida em um prazo de cinco anos - ou pela droga em si ou em consequência de seu uso (suicídio, envolvimento em brigas, “prestação de contas” com traficantes, comportamento de risco em busca da droga – como prostituição, etc.). Quanto a este último exemplo, tal comportamento aumenta os riscos de se contrair AIDS e outras DSTs e, como o sistema imunológico dos dependentes se encontra cada vez mais debilitado, as consequências são preocupantes.

Superar o vício não é fácil e requer, além de ajuda profissional, muita força de vontade por parte da pessoa, e apoio da família. Há pacientes que ficam internados por muitos meses, mas conseguem se livrar dessa situação.

COLA DE SAPATEIRO
Composta por diversas substâncias, como o tolueno e n-hexana, proporciona sensações de excitação, além de alucinações auditivas e visuais que, em contrapartida, são acompanhadas de tontura, náuseas, espirros, tosse, salivação e fotofobia. Tais efeitos são bastante rápidos, levando o indivíduo a inalar novamente.

 Seu uso constante desencadeia em desorientação, falta de memória, confusão mental, alucinação, perda de autocontrole, visão dupla, palidez, movimento involuntário do globo ocular, irritação das mucosas, paralisia, lesões cardíacas, pulmonares e hepáticas, dentre outros; podendo desencadear em convulsões, inconsciência, e até mesmo morte súbita. Isso acontece porque tais substâncias provocam a destruição de neurônios e nervos periféricos, além de ser consideravelmente irritantes.

 Sendo facilmente encontrada, também possui baixo custo, facilitando seu uso, por exemplo, por meninos e meninas de rua e estudantes. Assim, é um sério problema de saúde pública, inclusive considerando que atos infracionais cometidos por adolescentes sob efeito desta droga são superiores aos demais.

 Diante destes fatos, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu a Resolução RDC nº 345, de 15 de dezembro de 2005, que proíbe a comercialização de substâncias inalantes que afetam o sistema nervoso central a menores de idade. Este órgão também exige, neste documento, que as embalagens de tal produto contenham número de controle, individual e sequencial; e que o vendedor preencha, no ato da compra, os dados pessoais do comprador, com sua respectiva assinatura. Além disso, esta resolução define inscrições relacionadas à toxidade que deve conter em tais embalagens.



Ecstasy

O ecstasy é uma substância psicoativa designada como 3,4 metilenodioximetanfetamina. Foi sintetizada pela empresa Merck em 1914, e é chamada droga de recreio ou de desenho, pois possui ação estimulante e alucinógena.
 É consumido injetado, inalado, e por via oral. Apresenta-se em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó.
O ecstasy, a nível cerebral, age aumentando a produção e a diminuição da reabsorção da serotonina, dopamina e noradrenalina. Seus efeitos surgem após vinte e setenta minutos, atingindo estabilidade em duas horas, pode agrupar efeitos da cannabis, das anfetaminas e do álcool.
 Os efeitos físicos são taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, câimbras ou dores musculares.
 Quanto aos efeitos psíquicos, o ecstasy ocasiona sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da comunicação, da sensualidade, euforia, despreocupação, autoconfiança e perda da noção de espaço.
 Em longo prazo podem ocorrer alguns efeitos tais como lesões celulares irreversíveis, depressão, paranóia, alucinação, despersonalização, ataques de pânico, perda do autocontrole, impulsividade, dificuldade de memória e de tomar decisões.


I-doser
I-doser é um site que disponibiliza várias drogas. Através de arquivos de áudio são provocadas nos ouvintes sensações semelhantes as das drogas.
Ainda que pareça estranho, é comum na internet a frase “clique aqui para se drogar”, onde o usuário procura simulação para obter sensação da vida real. Por meio de batidas musicais, os efeitos do ópio, da cocaína e da maconha são simulados causando sensação de alucinação, euforia e sedação no usuário, isto ocorre devido às ondas sonoras que ativam algumas áreas do cérebro.
Fazendo o download da droga, o usuário a experimenta quando desejar, sendo que cada arquivo apresenta de quinze a quarenta e cinco minutos (quinze minutos é equivalente a nove doses) e é ouvido somente uma vez, são utilizadas com fone de ouvido em local silencioso. As doses estão agrupadas em categorias, como, por exemplo, doses espirituais até sexuais.
 Segundo especialistas os efeitos desta droga e a dependência não estão muito claros, apesar de serem perigosas e se tratarem, de certa forma, de uma hipnose, uma vez que a consciência do usuário é manipulada.

MERLA
A merla é derivada da cocaína. É uma junção das folhas da coca com alguns produtos químicos como ácido sulfúrico, querosene, cal virgem entre outros que ao ser misturado se transforma numa pasta onde se concentra em torno de 40 a 70% de cocaína. É ingerida pura ou misturada num cigarro normal ou num cigarro de maconha.
 É uma droga super perigosa causando dependência física e psíquica ao paciente, além de danos ao organismo irreparáveis.

É absorvida pela mucosa pulmonar rapidamente e assim como a cocaína é excitante ao sistema nervoso. Causa euforia, diminuição de fadiga, aumento de energia, diminuição do sono, do apetite e consequentemente causa perda de peso bastante expressiva e psicose tóxica como alucinações, delírios e confusões mentais.

Durante o uso da merla, o usuário pode ter convulsões e perda de consciência. As convulsões podem levar o usuário a ter uma parada respiratória, coma, parada cardíaca e a morte. Ao passar o efeito da merla, o usuário sente medo, depressão e paranóia de perseguição que em alguns casos leva o usuário ao suicídio.
 O usuário da merla normalmente apresenta a ponta dos dedos amarelada, olhos avermelhados, lacrimejados e irritados, respiração difícil, tremores nas mãos, irritação e inquietação. Ao longo do tempo o usuário perde seus dentes pois na merla existe um composto misturado chamado ácido de bateria que começa a furar os dentes até que a perda total aconteça.


Ópio
O ópio é um suco espesso extraído dos frutos imaturos de várias espécies de papoulas soníferas, utilizado como narcótico. Planta essa que cresce naturalmente na Ásia, sendo originária do Mediterrâneo e Oriente Médio.
 O ópio tem um cheiro característico, que é desagradável, sabor amargo e cor castanha. É utilizado pela medicina como analgésico.
 Os principais alcalóides do ópio são: a morfina, a codeína, a tebaína, a papaverina, a narcotina e a narceína.
O cultivo da planta é legal, serve de fonte de matéria-prima em laboratórios farmacêuticos. Porém, grande parte das plantações é ilegal, sua produção é destinada ao comércio clandestino de ópio e heroína. No mercado ilegal o ópio é vendido em barras ou reduzido a pó e embalado em cápsulas ou comprimidos.
O uso do ópio foi espalhado no Oriente, mascado ou fumado. Esse provoca euforia, dependência física, seguida de decadência física e intelectual. Os efeitos físicos decorrentes da utilização do ópio são: náuseas, vômitos, ansiedade, tonturas e falta de ar. O efeito dura de três a quatro horas.
O ópio provoca dependência no organismo. O dependente fica magro, com a cor amarela e tem sua resistência às infecções diminuída.

LANÇA PERFUME
 Devido a grave dependência que o ópio causa, o usuário pode morrer em razão da síndrome de abstinência. A crise de abstinência inicia-se dentro de doze horas, aproximadamente, apresenta-se de várias formas, ocorrendo desde bocejos até diarréias, passando por rinorréia, lacrimação, suores, falta de apetite, pele com arrepios, tremores, câimbras abdominais, insônia, inquietação e vômitos.
O lança-perfume é um solvente à base de cloreto de etila, éter, clorofórmio e essência perfumada, fabricado na Argentina. É armazenado em tubos de alta pressão, permitindo com que seja facilmente evaporado e inalado de forma eficaz.
Essa substância é absorvida pela mucosa pulmonar, sendo seus componentes levados, via corrente sanguínea, aos rins, fígado e sistema nervoso. Liberando adrenalina no organismo, acelera a frequência cardíaca, proporcionando sensação de euforia e desinibição ao mesmo tempo em que confere perturbações auditivas e visuais, perda de autocontrole e visão confusa.
 Como seus efeitos são rápidos, os usuários tendem a inalá-lo diversas vezes, potencializando a ação de seus compostos sobre o organismo. Assim, seu uso pode desencadear em quadros mais sérios, como falta de ar, desmaios, alucinações, convulsões, paradas cardíacas e morte. Além disso, por alterar a consciência do indivíduo, permite com que este esteja mais vulnerável a acidentes.
 Seu uso no Brasil se deu no início da década de vinte, no carnaval do Rio de Janeiro, no qual era borrifado nos foliões, perfumando-os e fornecendo sensações agradáveis. Aparentemente uma diversão inofensiva, seus efeitos adversos e consequências mais sérias fizeram com que, mais tarde, o presidente Jânio Quadros decretasse a proibição de seu uso em nosso país. Entretanto, o lança-perfume continuou sendo utilizado nos anos e décadas seguintes, de forma relativamente acessível, já que é contrabandeado do Paraguai e Argentina: locais estes onde sua fabricação não é proibida.

BOA NOITE CINDERELA O boa noite cinderela, também conhecido por “rape drugs” (drogas de estupro), é o nome dado a um golpe no qual um sujeito, geralmente simpático e de boa aparência, coloca um coquetel de drogas, como o ácido gama-hidroxibutírico, juntamente à bebida de outra pessoa.
Encontradas, geralmente, na forma de comprimidos ou gotas; tais drogas depressoras do sistema nervoso centrall,  ao serem ministradas juntamente com bebidas alcoólicas, alteram o nível de consciência, por até três dias, deixando a vítima vulnerável o suficiente para ser roubada e/ou violentada.  Além disso, podem causar intoxicação ou morte por desidratação.
Por se dissolverem facilmente; e serem incolores e inodoras, identificar um copo que recebeu tais doses é tarefa quase impossível.
De ocorrência relativamente frequente, este golpe ocorre geralmente em festas, boates, bares e praia; fornecendo como efeitos iniciais os mesmos que o álcool proporciona. Em um segundo momento, o indivíduo sente-se sonolento e com dificuldades de reagir a ameaças físicas e/ou psicológicas, obedecendo basicamente a todos os comandos ditados pelo golpista.
 Devido ao constrangimento das vítimas e também à falta de clareza quanto à sucessão dos fatos, poucas são as pessoas que registram queixas relacionadas a este golpe em delegacias de polícia. Assim, as estatísticas são subestimadas, e a ação da polícia é restrita.
 Para evitar ser vítima deste tipo de crime, tenha cautela: não leve desconhecidos até sua casa, não aceite bebidas de estranhos, e não descuide de seu copo!

Atividades de Interpretação de Texto

Leia o texto e responda às questões:

BIG BANG – A TEORIA DO BIG BANG

A teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo naturalizado estadunidense, George Gamow (1904-1968). Segundo ele, o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica, entre 10 e 20 bilhões de anos atrás. O termo explosão referese a uma grande liberação de energia, criando o espaço-tempo.Até então, havia uma mistura de partículas subatômicas que se moviam em todos os sentidos com velocidades próximas à da luz. As primeiras partículas pesadas associaram-se para formarem os núcleos de átomos leves, como hidrogênio, hélio e lítio, que estão entre os principais elementos químicos do universo.

Ao expandir-se, o universo também se resfriou, passando da cor violeta à amarela, depois laranja e vermelha. Cerca de 1 milhão de anos após o instante inicial, a matéria e a radiação luminosa se separaram e o Universo tornou-se transparente: com a união dos elétrons aos núcleos atômicos, a luz pode caminhar livremente. Cerca de 1 bilhão de anos depois do Big Bang, os elementos químicos começaram a se unir dando origem às galáxias. Essa é a explicação sistemática da origem do universo, conforme a teoria do Big Bang. Aceita pela maioria dos cientistas, entretanto, muito contestada por alguns pesquisadores. Portanto, a origem do universo é um tema que gera muitas opiniões divergentes, sendo necessária uma análise crítica de cada vertente que possa explicar esse acontecimento.


(Texto adaptado. Wagner de Cerqueira e Francisco. Edição: Jefferson Xavier.Fonte:www.umsabadoqualquer.com.br)





QUESTÃO 01 – A ideia que não está contida no texto II é:
A ( ) O universo passou por uma transformação cromática em sua criação.
B ( ) A teoria do Big Bang não é unanimidade entre a classe científica.
C ( ) As galáxias surgiram ao mesmo tempo que o cosmos.
D ( ) O átomo de hidrogênio teve seu núcleo formado a partir da união
de partículas com densidade diferente da sua.
E ( ) Há uma relação de simetria entre a criação do universo e do
espaço-tempo.


QUESTÃO 02 – Na expressão “Segundo ele...” (l.02), o pronome destacado substitui o vocábulo
A ( ) universo.
B ( ) Big Bang.
C ( ) termo.
D ( ) espaço-tempo.
E ( ) cientista.


QUESTÃO 03 – No trecho “A teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo...” (l. 01), o termo que completa o verbo na voz passiva, indicando quem exerce a ação expressa por esse verbo é
A ( ) “A teoria do Big Bang” (l. 01).
B ( ) “Big Bang” (l. 01).
C ( ) “estadunidense” (l. 01).
D ( ) “pelo cientista russo” (l. 01).
E ( ) “teoria” (l. 01).


QUESTÃO 04 – No trecho “Portanto, a origem do universo é um tema que gera muitas opiniões divergentes, sendo necessária uma análise crítica de cada vertente que possa explicar esse acontecimento” (l. 13 a 15), o adjetivo destacado transmite a ideia de que
A ( ) ao se falar da origem do universo, é importante que se faça uma
análise superficial das teorias existentes.
B ( ) ao se falar da origem do universo, é fundamental que as teorias
sejam analisadas de maneira profunda e cuidadosa.
C ( ) o universo, por ser um tema muito obscuro, dá margem para que
sua análise não seja feita de acordo com o rigor necessário.
D ( ) o rigor pode ser dispensado quando se busca uma análise crítica
do universo.
E ( ) embora a análise do universo seja feita com rigor científico, este é
perfeitamente dispensável em algumas teorias.


QUESTÃO 05 – No trecho “Essa é a explicação sistemática da origem do universo, conforme
a teoria do Big Bang” (l.12), o vocábulo destacado
A ( ) remete a uma ideia expressa apenas no 1º parágrafo.
B ( ) retoma uma ideia expressa nos três primeiros parágrafos.
C ( ) antecipa uma ideia expressa no final do 4º parágrafo.
D ( ) apresenta uma ideia não concluída nos parágrafos anteriores.
E ( ) resume uma ideia sobre o que é origem sistemática do universo.


QUESTÃO 06 – A respeito do trecho “Até então, havia uma mistura de partículas
subatômicas que se moviam em todos os sentidos com velocidades
próximas à da luz” (l. 4 e 5), podemos afirmar que essas partículas
A ( ) passaram a se mover após a explosão energética.
B ( ) já se moviam antes da explosão energética.
C ( ) passaram a se mover na hora da explosão energética.
D ( ) se moviam com a mesma velocidade da luz.
E ( ) não se moviam, misturavam-se.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Arte, Cultura e Linguistica - definições

Arte, Cultura e Linguística

Arte

A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser ( Fernando Pessoa) e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem.
Alguns exemplos incluem:

* Arquitetura
* Artes cênicas
* Arte digital
* Arte-educação
* Artes plásticas
* Artes visuais e design
* Cinema
* Dança
* Desenho
* Escultura
* Graffiti
* Fotografia
* Literatura (Poesia e Prosa)
* Música
* Pintura
* Poesia
* Teatro

Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dos sentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criar acessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte. A pessoa e a obra se unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas, esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que mais capacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizar diversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite. A própria Internet é fonte de transmissão entre a obra e o interessado, com sites (que distribuem E-books e por softwares especializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outros computadores.
Uma das características da arte é a dificuldade que se tem em conferir-lhe utilidade. Muitas vezes esta dificuldade em encontrar utilidade para a arte mascara preconceitos contra a arte e os artistas.

O que deve ser lembrado é que a arte não possui utilidade, no sentido pragmatista e imediatista de servir para um fim além dele mesmo. Assim, um quadro não "serve" para outra coisa, como um desenho técnico, como uma planta de engenharia, por exemplo, serve para que se construa uma máquina. Mas isso não quer dizer que a arte não tenha uma função.
A arte possui a função transcendente, ou seja, manchas de tinta sobre uma tela ou palavras escritas sobre um papel simbolizam estados de consciência humana, abrangendo percepção, emoção e razão (segundo Charles S. Peirce, fundador da semiótica). Essa seria a principal função da arte.
A arte pode trazer indícios sobre a vida, a História e os costumes de um povo, inclusive dos povos e nações já extintos. Assim, conhecemos várias civilizações por meio de sua arte, como a egípcia, grega antiga e muitas outras.

A interpretação da obra depende do observador. Portanto, inversamente a própria subjetividade da arte demonstra a sua importância no sentido de facilitar a troca e discussão de ideias rivais, ou para prestar um contexto social em que diferentes grupos de pessoas possam reunir e misturar-se.[

A arte é, como manifestação da atividade humana, suscetível a ser analisada de forma psicológica, estudando os diversos processos mentais e culturais que ocorrem durante a criação da arte, tanto em sua criação como em sua recepção por parte do público. Por outro lado, como fenômeno da conduta humana, pode servir como base de análise da consciência humana, sendo a percepção estética um fator distintivo do ser humano como espécie, que o diferencia dos animais.

Cultura

Cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

A principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e dehabitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (por exemplo, a supressão de um aspecto da cultura) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior.

Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.
Um exemplo de vantagem obtida através da cultura é o desenvolvimento do cultivo do solo, a agricultura. Com ela o homem pôde ter maior controle sobre o fornecimento de alimentos, minimizando os efeitos de escassez de caça ou coleta. Também pôde abandonar o nomadismo; daí a fixação em aldeamentos, cidades e estados.

A agricultura também permitiu o crescimento populacional de maneira acentuada, que gerou novo problema: produzir alimento para uma população maior. Desenvolvimentos técnicos – facilitados pelo maior número de mentes pensantes – permitem que essa dificuldade seja superada, mas por sua vez induzem a um novo aumento da população; o aumento populacional é assim causa e consequência do avanço cultural .
A cultura é dinâmica. Como mecanismo adaptativo e cumulativo, a cultura sofre mudanças. Traços se perdem, outros se adicionam, em velocidades distintas nas diferentes sociedades.
Dois mecanismos básicos permitem a mudança cultural: a invenção ou introdução de novos conceitos, e a difusão de conceitos a partir de outras culturas. Há também a descoberta, que é um tipo de mudança cultural originado pela revelação de algo desconhecido pela própria sociedade e que ela decide adotar.

A mudança acarreta normalmente em resistência. Visto que os aspectos da vida cultural estão ligados entre si, a alteração mínima de somente um deles pode ocasionar efeitos em todos os outros. Modificações na maneira de produzir podem, por exemplo, interferir na escolha de membros para o governo ou na aplicação de leis. A resistência à mudança representa uma vantagem, no sentido de que somente modificações realmente proveitosas, e que sejam por isso inevitáveis, serão adotadas evitando o esforço da sociedade em adotar, e depois rejeitar um novo conceito.
O 'ambiente' exerce um papel fundamental sobre as mudanças culturais, embora não único: os homens mudam sua maneira de encarar o mundo tanto por contingências ambientais quanto por transformações da consciência social.


Lingüística


Linguística[1] é o estudo científico da Linguagem. Um linguista é alguém que se dedica a esse estudo. A pesquisa linguística é feita por muitos especialistas que, geralmente, não concordam harmoniosamente sobre o seu conteúdo.
O jornalista norte-americanoRuss Rymer disse, ironicamente:[2]

A Linguística é a parte do conhecimento mais fortemente debatida no mundo acadêmico. Ela está encharcada com o sangue de poetas,teólogos, filósofos, filólogos, psicólogos,
biólogos e neurologistas além de, não importa o quão pouco, qualquer sangue possível de ser extraído de gramáticos.
Os linguistas dividem o estudo da linguagem em certo número de áreas que são estudadas mais ou menos independentemente. Estas são as divisões mais comuns:
- fonética, o estudo dos diferentes sons empregados em linguagem;
- fonologia, o estudo dos padrões dos sons básicos de uma língua;
- morfologia, o estudo da estrutura interna das palavras;
- sintaxe, o estudo de como a linguagem combina palavras para formar frases gramaticais.
- semântica, podendo ser, por exemplo, formal ou lexical, o estudo dos sentidos das frases e das palavras que a integram;
- lexicologia, o estudo do conjunto das palavras de um idioma, ramo de estudo que contribui para a lexicografia, área de atuação dedicada à elaboração de dicionários, enciclopédias e outras obras que descrevem o uso ou o sentido do léxico;
- terminologia, estudo que se dedicada ao conhecimento e análise dos léxicos especializados das ciências e das técnicas;
- estilística, o estudo do estilo na linguagem;
- pragmática, o estudo de como as oralizações são usadas (literalmente, figurativamente ou de quaisquer outras maneiras) nos atos comunicativos;
- filologia é o estudo dos textos e das linguagens antigas.
Nem todos os linguistas concordam que todas essas divisões tenham grande significado. A maior parte dos linguistas cognitivos, por exemplo, acha, provavelmente, que as categorias "semântica" e "pragmática" são arbitrárias e quase todos os linguistas concordariam que essas divisões se sobrepõem consideravelmente. Por exemplo, a divisão gramática usualmente cobre fonologia, morfologia e sintaxe.

Ainda existem campos como os da linguística teórica e da linguística histórica. A linguística teórica procura estudar questões tão diferentes sobre como as pessoas, usando suas particulares linguagens, conseguem realizar comunicação; quais propriedades todas as linguagens têm em comum, qual conhecimento uma pessoa deve possuir para ser capaz de usar uma linguagem e como a habilidade linguística é adquirida pelas crianças.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lisbela e o Prisioneiro

Literatura e Cinema: recriação e diálogo
Lisbela e o Prisioneiro
RESUMO


Análise comparativa de Lisbela e o prisioneiro, peça de Osman
Lins (1961) cujo objetivo é focar a transmutação da narrativa dramática para a linguagem cinematográfica. Esta é a problematização central tomada como eixo de referência para o estudo comparativo do romance e sua adaptação no cinema, enfatizando como a linguagem cinematográfica e seus recursos próprios podem dialogar e recriar, preservando não só a intencionalidade, mas também o espírito do texto de partida, permitindo com isso possibilidades de novas leituras semióticas.

As relações entre literatura e cinema são múltiplas e muitas vezes complexas, caracterizada por uma forte intertextualidade. A relação, dialógica e dinâmica, existente entre livros e filmes muitas vezes favorece o estabelecimento de uma hierarquia entre as formas de expressão, e a partir daí, examina-se uma possível “fidelidade” de tradução. A insistência na fidelidade da adaptação cinematográfica à obra literária originária, pode resultar em julgamentos superficiais que freqüentemente valorizam a obra literária em detrimento da adaptação, sem uma reflexão mais profunda. Os filmes são julgados criticamente porque, de um modo ou de outro, não são “fieis” à obra modelo.

Torna-se portanto um falso problema, caso o espectador não conheça a obra original ou ainda se a obra em questão seja pouco conhecida e valorizada, ignorando diferenças essenciais entre as duas linguagens. Uma obra artística, seja ela romance, conto, poema, filme, escultura ou pintura, tem de ser julgada em relação aos valores do campo no qual se insere e em relação aos valores de outros campos, com os quais dialoga. A linguagem fílmica utiliza-se de recursos específicos na construção da narrativa que não podem ser explorados no universo da escrita; questão relevante e merecedora de aprofundamento.

ADAPTAÇÃO FÍLMICA
Às vezes a mais fiel das adaptações faz o pior dos filmes, porque o material não se presta a uma história filmada e, na forma como está escrito, não funciona na tela, por mais forte que seja a história no original. Em geral, e na tela certamente, o drama exige compreensão e intensificação (HOWARD; MABLEY, 1996, p. 37).

A noção de adaptação está no centro das discussões teóricas desde as origens do cinema, pois está ligada às noções de especificidade e de fidelidade, sendo esta pratica tão antiga quanto os primeiros filmes. L’arroseur arrosé (Lumière 1896), conhecido cartum dos periódicos da época transformado em ação filmada, preconiza uma série de adaptações cinematográficas de peças de teatro e romances celebres.

Uma adaptação visa avaliar ou descrever e analisar os processos de transposição de um romance para o roteiro e depois para o filme, podendo focar personagens, lugares, estruturas temporais, a época onde acontece a ação a seqüência de acontecimentos contados etc. Esta descrição que é muitas vezes avaliadora busca normalmente avaliar o grau de fidelidade da adaptação, identificando o número de elementos da obra inicial conservados no filme.

Na década de 20 os primeiros críticos de cinema, salientaram a especificidade da arte cinematográfica e condenaram adaptações diretas demais, principalmente as de peças teatrais. Já na escola dos Cahiers du Cinema contrariamente, defende-se a adaptação como meio paradoxal de reforçar a especificidade cinematográfica que deve evitar procurar equivalentes fílmicos das formas literárias, ficando o mais perto possível da obra inicial.

Foi só a partir da década de 50 que a crítica admitiu a possibilidade de adaptação e os filmes dividiram-se entre literalidade mais ou menos absoluta e busca de “equivalentes”que transpõem a obra, seja transportando a ação para outros lugares ou épocas, seja transportando suas personagens ou ainda buscando um meio fílmico de reproduzir sua própria escritura.

A noção de escritura fílmica surge e modifica a questão da problemática tradicional da adaptação, enfatizando os processos significantes próprios a cada um dos meios de expressão em questão: as palavras para o romance, a representação verbal e gestual para o teatro, as imagens e os sons para o cinema. Com a narratologia e logo após a lingüística generativa, a adaptação passa a ter um novo estatuto teórico que a concebe como uma operação de transcodificação.

Os elementos essenciais do texto teatral se tomam como ponto de partida para elaborar um roteiro cinematográfico que possuirá um alto grau de autonomia em relação à sua origem teatral. Os processos de adaptação operam em
três níveis:

a) Sobre o texto, cujo os diálogos se modificam, resumem, concentram, ampliam ou
eliminam.
b) Sobre a organização, e estrutura dramática que desaparece em parte ou por completo.
c) Sobre o espaço tempo, que sofre uma transformação e estabelece novas coordenadas.

A adaptação livre tem como resultado um texto fílmico em que o espectadorpode reconhecer a obra original mesmo que haja transformações decisivas.

REGIONALISMO
Lisbela e o prisioneiro foi publicada em 1963 pela Edição da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, em tiragem limitada e de alcance restrito, resgatando um universo da cultura popular e, apesar desse caráter nacional-popular, não se limita a questões do tempo em que foi escrita. A época pode explicar a gênese, mas não dá conta da estrutura que, nesse caso, vai além dela ou seja, é uma peça de origem rural mas que permite leituras urbanas, tendo uma perspectiva popular recriando situações que se encaixam em qualquer região e tempo representada em situações divertidas por meio da linguagem.

Na história de um prisioneiro acrobata, que vive literalmente na “corda bamba” – andando sobre o arame –, correndo sobre o fio de uma navalha, famoso por suas seduções e por sua paixão pela filha do delegado, muitas tramas se entrelaçam e situações se completam, com tipos populares se enfrentando numa delegacia do interior de Pernambuco em Vitória de Santo Antão.

Do corneteiro que se sente “bode respiratório” à filha do delegado que quer fugir com o prisioneiro, tudo vira pelo avesso: a autoridade máxima não tem o controle da situação; um padre falso celebra o casamento que também é falso, e o matador e morto por inexperiente atirador. O cenário na peça foi disposto de modo que a ação
se desenrolasse dentro e fora da cela na cadeia pública em Vitória de Santo Antão, PE – ocorrendo também cenas na calçada da cadeia.

Segundo Sandra Nitrini em Pósfacio (2003, p. 118): Matéria e linguagem reelaboradas tecem esta peça, regada por uma equilibrada dosagem de leveza, comicidade e ternura, assentadas em valores libertários em prol da vida, o que
abre as portas para outros tempos e outros espaços.

Ou seja, apesar da peça possuir linguagem e tipos característicos da região nordestina, os temas abordados como os desmandos e a conivência da polícia com o crime, as questões de ordem social e existencial vivenciadas na coragem do personagem Leléu quando rompe amarras e luta pela vida, permitem que obra perpasse os limites dados pelo tempo e pelo espaço.

O Filme de Guel Arraes (2003) recria este regionalismo do sertão pernambucano, em uma linguagem interativa e intertextual. Utilizando recursos como por exemplo estabelecer diálogo com outros filmes, mudar a ordem temporal dos acontecimentos, concentrar fatos ocorridos com três personagens em um só, utilizar a música como complemento da ação dramática, a narrativa fílmica conseguindo assim transmitir ao espectador, a mesma leveza e a comicidade do texto de Osman Lins.

ESTILO OSMANIANO
As obras de Osman Lins exibem um hibridismo incomum de gêneros literários que evolui de condição involuntária a artifícios deliberados. Na primeira fase de sua dramaturgia, a mistura entre épico, dramático e lírico ocorre de modo natural: os expedientes narrativos resultam do contato do autor com a cultura-arcaico-popular da região e invadem seus textos dramáticos permeados de embates interpessoais. A poeticidade faz morada em quaisquer deles.
Na sua fase de maturidade criativa entretanto, a combinação de gêneros passa a ser usada de modo
proposital, como recurso para exposição de seu pensamento artístico. A aglutinação de gêneros literários distintos, promovida pelo autor como recurso artístico faz com que cada tipo de texto esqueça de si mesmo e confunda-se com outro; a narrativa dramatiza, o teatro conta.

Numa palavra, na épica o autor abusa de expedientes da dramática; na dramática deleita-se com os da épica – sem em nenhum caso esquecer-se da lírica. Anatol Rosenfeld (2004, p. 97) em sua obra O teatro épico afirma que:
“Não há gênero puro e de fato; traços estilísticos não respeitam fronteiras o
que nos revela na obra de Osman Lins a impureza de gêneros, casual em muitos casos
é proposital em outros e marca seu estilo” [...]

DUAS LINGUAGENS: TEATRO E CINEMA
Para analisarmos aspectos da adaptação do livro ao filme, é necessário considerar que o cinema mais que um suporte, é uma nova linguagem, infinitamente diferente da linguagem verbal, ou seja, entraremos em dois campos, com significados múltiplos porém de diálogo permanente. A adaptação de um livro pode recriar na tela significados tão expressivos quanto os que se encontram no texto original, com a utilização de diferentes recursos narrativos e estilísticos.

Um desses recursos chamado de cutback e muito conhecido como flashback exemplifica a questão acima utilizado em uma das cenas do filme Lisbela e o prisioneiro. No jargão cinematográfico, qualquer volta a uma cena passada é chamada de cutback e admite inúmeras variações, podendo servir a muitos propósitos e na cena que iremos demonstrar a intenção é evocar a memória. No teatro a memória atua na mente do espectador, evocando coisas que dão sentido pleno e situam melhor cada cena, cada palavra e cada movimento. A cada momento precisamos lembrar o que aconteceu nas cenas anteriores, ou seja o teatro não tem outro recurso senão sugerir à memória tal retrospecto, já o cinema pode ir além projetando a imaginação na tela.

Segundo o teórico Ismail Xavier (2003, p. 38) “é como se a realidade fosse despojada da própria relação de continuidade para atender às exigências do espírito e o próprio mundo exterior se amoldasse às inconstâncias das idéias que vem á memória”. O teatro só pode mostrar os acontecimentos reais em sua seqüência normal; o cinema pode fazer a ponte para o futuro ou para o passado, inserindo entre um minuto e o próximo, um acontecimento de 20 anos passados.

Assim, o cinema pode agir de forma análoga à imaginação: ele possui a mobilidade das idéias, que não estão subordinadas às exigências concretas dos acontecimentos externos, mas sim ás leis psicológicas da associação de idéias. Dentro da mente o passado e o futuro se entrelaçam com o presente. O cinema ao invés de obedecer às leis do mundo exterior obedece as da mente.

Mas o papel da memória e da imaginação na arte do cinema pode ser ainda mais rico e significativo. A tela pode refletir não apenas o produto de nossas lembranças ou da nossa imaginação mas também à própria mente dos personagens. A técnica cinematográfica introduziu com sucesso uma forma especial para esse tipo de visualização.

Se um personagem recorda o passado – um passado que pode ser inteiramente desconhecido do espectador, mas que está vivo na memória do herói – os acontecimentos surgem na tela com um conjunto novo de cenas, mas ligam-se à cena presente mediante uma lenta transição. Essa técnica da produção dessas transições graduais de uma imagem para outra e do retorno á imagem inicial abre naturalmente amplas perspectivas; o roteirista pode usar as imagens retrospectivas para visualizar cenas e complicados acontecimentos do passado.

Embora trabalhoso método, obteve plena aceitação no meio cinematográfico pois, de alguma forma, o efeito realmente “simboliza” o aparecimento e o desaparecimento de uma reminiscência. Nitidamente observamos o resultado desses efeitos na cena em que o personagem Leléu explica a mocinha Lisbela o porquê de ser tão livre, revivendo a história de sua infância no interior de Pernambuco – São José da Coroa Grande – e um Zepelim que por lá havia passado. Observamos o curso natural dos acontecimentos, mudado pelo poder da mente através do relato do personagem Leléu, em que o teatro oferece aos nossos ouvidos a simples menção de lugares e acontecimentos, que se tornam nomes mortos em nossa imaginação enquanto que o cinema pode oferecer aos nossos olhos panoramas deslumbrantes mostrando-nos em cena a fantasia viva do jovem.

O que é poético no texto dramático torna-se ainda mais poético com a projeção da imagem, proporcionando ao espectador o efeito das lembranças de infância e fantasias, vivenciadas por Leléu. Essa técnica da produção gradual de uma imagem para outra e do retorno à imagem inicial, exige muita precisão e é mais difícil do que uma mudança brusca de cena pois é necessário combinar dois conjuntos de imagens exatamente correspondentes, para que o efeito realmente simbolize o aparecimento e o desaparecimento de uma reminiscência.

INTERATIVIDADE: MÚSICA, FILME E TEXTO DRAMÁTICO

A trilha sonora que é assinada pelo conceituado diretor teatral, João Falcão – A máquina, A ver estrelas, A dona da história, Quem tem medo de Virgínia Woolf – e pelo músico André Moraes, responsável dentre outros celebrados trabalhos, pela trilha sonora de Avassaladoras.Natasha, produtora do filme chegou ao cinema através da música – Natasha Records – que produziu e lançou no mercado excelentes trilhas sonoras de filmes brasileiros.

A perfeita integração entre a direção e a produção musical também fez diferença. Foram oito meses trabalhando em conjunto, algumas vezes a música sugerindo alterações no próprio roteiro. Elaborada com o olhar fixo nos sentimentos do filme, sem submissão de gênero ou classe musical; cada canção tem sua história e sua temperatura possuindo um entrelaçamento com os personagens e o enredo ampliando assim a carga de efeitos e
significados sob o espectador. Se por um lado a trilha sonora contribui para reforçar a caracterização das personagens, por outro interage com o próprio texto providenciando o clima da ação que dependendo da cena pode ser: romântica, de terror de suspense ou cômica.

O diálogo existente entre música e texto amplia o próprio texto no sentido de que a obra fílmica se enalteça de poeticidade e dramaticidade. Esta investigação nos proporciona também uma melhor compreensão do discurso implícito, ou seja, das mensagens ocultas, do não dito, do subentendido; extrapolando os limites do texto e do filme, multiplicando assim as possibilidades de leituras semióticas.Vejamos como isto ocorre em:

A Deusa da minha rua – interpretado no violão de Yamandú Costa e a voz de Geraldo Maia como uma valsa preciosa que Lisbela empresta às histórias que vê no cinema, vai futuramente se encaixar muito bem em sua vida no momento em que conhecer o Prisioneiro; a música interage com o texto antecipando a impossibilidade do amor entre classes socias diferentes.

A música parece ter sido elaborada para o momento em que Lisbela e Leléu se encontram na cena metamorfose que Léleu em seu circo apresenta a mulher gorila e passa a explicar o truque utilizado á Lisbela percebendo então sua paixão por ela. Declamando-lhe um poema camoniano que irá interagir não somente com a cena na qual Leléu e Lisbela serão sobrepostos como se fossem um só, mas também com a música no momento em que ela foge por já ser comprometida, recriando um efeito ainda maior devido a interatividade entre cena, música, poesia e texto: [...]


Como diz o poeta:
Transforma-se o amador
Na coisa amada
Por virtude do muito imaginar
Não tendo mais que desejar
Por já ter em mim
A parte desejada.


Interagindo com o texto dramático em:
[...]
Lisbela: Não! Leléu, você não pode ir?
Leléu: Pude. Estou com dois cavalos aí fora. Mas era grosseira eu ir com a senhora.
Lisbela: Não precisa continuar me chamando de senhora.
Leléu: Pra mim é o que a senhora Há de ser sempre. Chamar “você” é um exagero, não mereço tanto.
Dr. Noêmio :Por que você não foi embora, rapaz? Por que voltou?
Leléu :Por causa de dona Lisbela, Doutor. Pra ficar perto do chão onde ela pisa.
Lisbela: Você podia ouvir minhas pisadas junto de você a vida toda. Por que não me levou?
Leléu: Porque a senhora não merece a incerteza da minha vida. Não tenho eira nem beira, que trono lhe podia oferecer?
(LINS, 2003, p. 90-91).

Após a análise sobre o complexo trabalho de transformar o texto teatral em texto cinematográfico notamos que as opções de cada autor precisam ser entendidas e, sobretudo respeitadas já que não existe uma sistematização de procedimentos, tornando cada caso único e particular.

Uma história pode ser contada de vários modos, examinando como o drama foi concebido e como os personagens são caracterizados em menor ou maior detalhe, permanecendo mais misteriosas ou mais permanentes, no momento em que ocorre a transposição de uma linguagem à outra; como o filme tece a narrativa e nos faz ganhar consciência do que trata a história no texto literário.

Através deste olhar intersemiótico, a função do cinema passa a ser de transferir para a tela não apenas uma história cuja mensagem é veiculada por meio de personagens, mas também canalizar para ela os mecanismos necessários à organização interna da montagem, que pressupõe esteticidade, criatividade e linguagem própria.


Filmografia: Lisbela e o Prisioneiro
Arraes, Guel – BRA – 2003 – Duração 106 min

LINS, Osman. Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003.

BAKHTIN, Mikail. Questões de Literatura e de Estética: a teoria do romance.
São Paulo:Unesp: Hucitec,1988.

BOSI, Alfredo. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1997.

MASSOUD, Moisés. A análise literária. São Paulo: Cultrix, 1977.

METZ, Christian. Linguagem e cinema. São Paulo: Perspectiva, 1980.

METZ, Christian. A significação no cinema. São Paulo: Perspectiva, 1972.

NITRINI, Sandra. Literatura comparada. São Paulo: EDUSP, 1997

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